P/ 01Software como literatura
Código é texto. Tem leitor, tem revisão, tem rascunho. Toda decisão de produto começa por uma pergunta de leitura: quem vai abrir esta tela amanhã, daqui a um ano, daqui a dez? Escrevemos para esse arco de tempo.
Linha Visível foi fundada em 2017 por Renata Caxambu na sala dos fundos de uma livraria na Vila Madalena. Hoje somos um estúdio de oito pessoas distribuídas entre São Paulo e Recife, com clientes do setor financeiro, cultural, de saúde e infraestrutura cívica. Trabalhamos por cartas, não por cronogramas.
Quatro princípios atravessam tudo o que produzimos. Não são valores motivacionais — são critérios de revisão. Quando algo não passa, refazemos.
Código é texto. Tem leitor, tem revisão, tem rascunho. Toda decisão de produto começa por uma pergunta de leitura: quem vai abrir esta tela amanhã, daqui a um ano, daqui a dez? Escrevemos para esse arco de tempo.
Tela é consequência. O que importa é o sistema que a sustenta — tokens, primitivas, regras de composição, vocabulário. Uma tela bonita sobre um sistema confuso é dívida disfarçada de entrega.
WCAG 2.2 AA é o piso, não o topo. Auditamos com leitores de tela reais, com pessoas reais, em equipamentos reais. Se um produto não passa em uma tela monocromática de operação noturna, ainda não está pronto.
Toda iteração tira mais do que coloca. Removemos componentes, telas, textos, opções. O resultado precisa caber dentro da cabeça de quem opera o produto às três da manhã.
Mostramos quatro das oito pessoas do estúdio — quem dirige cada frente. As outras quatro aparecem nos créditos de cada projeto, em ordem alfabética.
Antes do estúdio, editou três livros de ensaios sobre tipografia brasileira. Conduz a leitura crítica de cada projeto.
Conduziu o sistema do Banco Aurora e a biblioteca da Câmara da Cultura. Dá aulas no IED Rio sobre tokens semânticos.
Vinte anos escrevendo front-end. Foi líder técnico do Pulso e mantém duas bibliotecas de código aberto sobre acessibilidade.
Antropóloga de formação, conduziu o estudo de campo do Vereda em quatro estados. Coordena o método de pesquisa do estúdio.
Nove anos em cinco marcos. Listamos só o que mudou o curso do estúdio — não os contratos, e sim as escolhas.
Renata Caxambu monta o estúdio na sala dos fundos da livraria Megafone, na Vila Madalena. Primeiro projeto: identidade digital de uma editora independente do interior de Minas.
Abertura da segunda base, no bairro do Recife Antigo, depois do convite do Banco Aurora. A operação dupla passou a definir o ritmo de pesquisa do estúdio.
Publicação da primeira edição do nosso caderno de método, com 84 páginas, distribuído em livrarias selecionadas. A segunda edição saiu em 2024.
Entrada nos primeiros projetos de infraestrutura cívica e regulada (energia, saúde, mobilidade). Reorganizamos o estúdio para suportar auditoria contínua.
Oito pessoas, 47 sistemas em produção, três projetos simultâneos por trimestre. Continuamos editando livros — só que agora no terminal.
Não somos uma agência. Somos uma redação técnica que entrega software como quem fecha edição.
— Renata Caxambu, fundadoraRecebemos novas conversas pelo formulário ou por e-mail direto. Lemos pessoalmente, respondemos em até dois dias úteis.